France Day Suassuna

Palavra e Humanidade

Textos


Talvez você pergunte:
"-Quem é a criança do retrato?"  // Então como resposta:
Alguém que já não fui... // Por que um diário começaria em mim
                                              ainda criança?
Porque hoje a maior herança,
do tempo que vivi, é a lembrança. // É como se a menina na fotografia, viajasse no 
                                                                   tempo, em crescimento e sofrimento.
Repleta de sentimento
não deseja mais sair dali.  // Se na infância pudéssemos medir a certeza implacável 
                                                    de que o tempo não pára e nem volta...
A sabedoria não seria irmã gêmea da experiência,
perderia a excelência... // Nem a maturidade daria as mãos para a    
                                             serenidade, depende do tempo, é sua naturalidade.
E hoje ainda, que tanta coisa vivida,
já é finda, a garota, marota, ainda insiste // E me pega desprevinida sem          
                                                                              anunciar a sua vinda.

Menina do retrato: sou eu, sentada numa pedra, 
a admirar a vida que já anunciara partida. // A gente miúda não sabe..
Tudo valeu a pena! // Por isso, partilha, democracia, em prosa e poesia.
Acima da tristeza, com certeza, a alegria. // Doce magia de  viver sorrindo,  
                                                                             apesar   de tudo que foi indo. 
Verdade vou parindo,
choro pouco por saudade..//  Descobri que viver, nada tem a ver com idade,
                                                     e que durar... é completamente sem garantia. 

Por isso toda gente do retrato:
SORRIA!
France Day Suassuna
Enviado por France Day Suassuna em 27/08/2006
Alterado em 28/08/2006

Música: Luzes da Ribalta - Charles Chaplim



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