France Day Suassuna

Palavra e Humanidade

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Poema Pra de Cem Versos


Sensação: despedida de objetos.
Quando se vence a ilusão
entra em cena a razão.
Quando a – dor - me - ci – da,
lembrança repentina.
Insigth faz refletir
o sono da dor...
que é leve.
Sensação linda, portadora de ilusão,
será e ainda...
reserva para o sofrimento?

Em todos os sentimentos do mundo
parece caber o medo,
exceto no amor verdadeiro.
Posto que o único temor do amor,
é deixar-se ser canal da destruição.
E aquieta o coração
quando ele mesmo se lembra
que começa por si mesmo
e deságua na humanidade inteira.
Tem coração aberto,
 o amor, jamais finda.

É preciso amar-se, querer-se,
precisar de si mesmo
para poder ter a coragem
de precisar de algumas pessoas no mundo.
Precisar no sentido mais livre da palavra:
é amar tendo como chamado, a vontade da verdade.
É amar bastando para si que o outro exista...
O amor tem no amigo seu maior aliado.
Felizes aqueles que preservam uma amizade sincera!
Este deveria ser o caráter do amor universo afora,
mas vem carregado de nuances da materialidade.

Ofuscam o brilho, depreciam - lhe o valor,
que é seu, por essência e maestria.
O amor, como a religião,
ainda não aconteceu no mundo.
Homens se matam, se deixam,
insistem no desrespeito, são cruéis
em nome do amor, ou em nome da religião.
Essa concepção é separatista, gera partidarismos,
nega a possibilidade da integralidade com a luz.
Luz no sentido de plenitude e realização.
O amor é luz por excelência!

Seus interesses não estão no aprisionamento,
mas na libertação!
Outrossim, passando do macro, ao microcosmos,
o amor entre duas pessoas, traz aprendizagens:
extraídas da dor e do sorriso
da presença e da ausência
da fidelidade e da inconseqüência
do cuidado e da falta de zelo
do começo, do meio e do fim
do bastar-se em si mesmo
e da necessidade de amplidão.

Talvez por isso, ainda haja poesia
que nasce de um instante
ao chegar perto da amiga cristaleira.
Como todos os objetos de estimação,
eis que ela carrega memória, lembrança e sensação.
Entretanto, cada elemento que fica,
dependendo da sintonia e da recordação,
pode significar despedida ou eternidade.
Se for o primeiro, para desfazer, haja maturidade...
No segundo, predomina a serenidade.
Já não é tempo do amor, ser sinônimo de saudade.

Apesar, a despeito e a pretexto de qualquer coisa,
causa, culpa, arrependimento ou efeito,
a intenção e função do amor
é procurar fazer direito.
A questão é encontrar a medida
que atenda às necessidades das duas pessoas.
Afinal, parafraseando Moa, o poeta...
“Que não sejamos uma escultura à toa”.
Sejamos belos, sejamos pessoas.
Seres aprendizes que reconhecem em Aristóteles
uma grande verdade:

“O amor é o sentimento dos seres imperfeitos
posto que a função do amor é levar o ser humano à perfeição”.
O desafio do amor é ser como o pêndulo da balança.
Quando passa o encantamento da paixão,
o amor tem que ser o grande vencedor.
Já não há reserva para o sofrimento. 
O homem deve se libertar do medo,
da culpa religiosamente imposta, distorcida,
que não praticou a religiosidade, onde o maior atributo da fé, 
está na busca de ser honesto e ser inteiro
com todas as pessoas, indistintamente irreversível.

Fé.. atitude sincera e digna.
Fé, que deixa a cabeça descansar, tranqüila no travesseiro.
Aí está o equilíbrio daquele pêndulo - balança:
a busca permanente do amor.
Já em sua relíquia, 
está no saber dele mesmo:
é  alfa e  ômega
excelência e vitória
serenidade e compaixão
emoção em equilíbrio:
confiança e liberdade.

Quero que o planeta entenda uma coisa:
quando o amor for irradiado entre os povos
e todas as civilizações se colocarem em harmonia,
terá nascido, de fato, a nova era.
Famílias felizes entre beijos e abraços.
Amigos fiéis, sinônimo de eternidade.
Amor único, mas plural, difundido, entrelaçado,
comprometido, engajado, repleto de dignidade.
Não, já não há espaço para o sofrimento.
Nem hoje, nem amanhã,
sobretudo, em nenhum lugar do passado.

Que seja a vida como a doce melodia
que entoa as melhores lembranças,
recria novas esperanças, no tempo que é hoje e já!
Refaz a história, muda o código da memória.
E aí...o amor acontece, fortalece, gera bons frutos,
prima pela continuidade da qualidade total,
que transcende a um tal valor comercial.
O amor não é setorial, nem empresarial,
sua maior analogia, é então, o que prevalece nos ambientes,
nos grupos e nos trabalhos: poder o amor ser integrante e integrado.

Posto que o seu passaporte,
é voar nos braços do infinito...tão bonito...
Mas este, é quase findo. Mister, novos métodos:
de alimentação, de respiração, de condição, de atitude.
O amor pelo planeta...
Podemos, ainda, dar um freio no secar das águas?
Sim, pelo coração... cor – ação.
Que se traduz no movimento... em vida!
Pra quê desfazer dos objetos?
Amanhã seremos flores, pássaros, perfumes,
quiçá, luzes!

Façamos por onde em nome do amor!
E que seja a despedida somente um objeto
refletindo a vida eterna,
girando como um cristal colorido,
entre deusas e deuses, sensíveis e fiéis.
Ultrapassando ventos e tempestades,
permaneceram, eternizaram,
transformaram e transmutaram,
sangue, em vinho.
Taças e espelhos aumentam o cenário mágico da vida:
viram – me em poesia, ao simples toque.

Pedras, pirâmides, cores em harmonia,
completam o sentido da cristaleira,
que guarda um pedaço de mim
embrulhado num cetim.
Razão do meu poema,
emana amor... a todo leitor!
Amor que é vitória,
reflete história,
gira e adormece lilás!
Os guias do sono que sonha, revelam a transformação,
carregam a leveza da dor... lá...até o além das nuvens...

São matizes da vida que se passa a limpo...
Saudações aos corajosos, persistentes e insistentes.
Guerreiros soldados: generosos, serenos,
grandes almas, carregam a bandeira da calma.
Suas línguas são controle e disciplina
protegendo do julgamento que aponta,
depois, devolve para si mesmo o negativo e o positivo,
compreendendo melhor o que somos, o que fazemos, a que viemos.
Tudo passa...Já passou, fincou raízes, aprendizes,
floresceu em sombra, gigantesca, materna,
lá no quintal da minha infância.


France Day Suassuna
Enviado por France Day Suassuna em 22/04/2007
Alterado em 28/04/2007

Música: Luzes da Ribalta - Charles Chaplim



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